Conheça Cabo Frio!

Sambaquis

Cerca de 6.000 anos antes de Cristo, o litoral brasileiro foi ocupado por grupos humanos nômades que percorriam a costa brasileira em busca recursos naturais abundantes. Conhecidos como Sambaquieiros, se concentravam em áreas onde os recursos naturais eram abundantes. Pescavam, coletavam mariscos e vegetais e caçavam.

A partir do sul do país, os sambaquis são encontrados desde o Balneário de Torres, no Rio Grande do Sul, até Cabo Frio, no Rio de Janeiro. No litoral norte e nordeste existem registros pontuais nos Estados do Piauí, Maranhão e Pará. Para que se conheça mais sobre a existência de sambaquis no litoral do nordeste é necessário que estudos e pesquisas mais profundas sejam realizados.

Os sambaquis são elevações de pequeno ou médio porte, podendo ter de 6 até 70 metros de altura, como é o caso do sambaqui encontrado em Santa Catarina. Parecem dunas cobertas de grama, são formados por tudo aquilo que indique evidência da ação do homem, principalmente por conchas, ossos de peixes, restos de fogueira, ferramentas, sementes e ossos de animais – carapaças de moluscos, crustáceos e até corpos dos mortos do grupo que habitou o local. Esses materiais formavam camadas, constituindo plataformas que são um extraordinário registro pré-histórico dos grupos que viveram há mais de 6000 anos no Brasil.

A ocupação humana das terras onde hoje a cidade de Cabo Frio está estabelecida teve início com um pequeno bando nômade que chegou de canoas pelo mar e acampou no Morro dos índios, até então uma pequena ilha rochosa na atual barra da Lagoa de Araruama e ponto litorâneo mais extremo da margem de restinga do Canal do Itajuru. Esse grupo, conforme evidências arqueológicas encontradas, possuíam tecnologia rudimentar e sua economia era baseada na coleta de frutos, sementes, pesca e caça. Os moluscos eram a base da alimentação e adorno.

Sabe-se que os sambaquieiros eram hábeis pescadores, mergulhadores de águas profundas, navegavam de canoa e existem evidências de que capturavam tubarões, golfinhos e arraias. Escolhiam lugares bem localizados e servidos de água, matas, mangues e enseadas para se instalarem, o que garantia a sobrevivência do grupo: peixes, pequenos mamíferos para a alimentação, madeira para canoas e cabanas.

Após consumir os moluscos, as conchas serviam rituais funerários. De acordo com Madu Gaspar, o calcário retarda o processo de decomposição dos ossos e permite que hoje os sambaquieiros possam ser observados e estudados. Em alguns sambaquis são encontradas esculturas de pedra e outros materiais, tais como, colares de dentes de animais (porco-do-mato, tubarões e jacarés) enterrados junto aos mortos.

Muitos sambaquis apresentam restos de cerâmica. Esse material não era produzido pelos sambaquieiros da região de Cabo Frio, mas em algum momento eles tiveram contato com os povos tupis e jês e passaram a utilizar a cerâmica em objetos utilitários.

Outras mudanças encontradas nos sambaquis da região que indicam sua aculturação são evidências da prática de cremação dos corpos nos rituais de sepultamento. Em sambaquis na ilha de Cabo Frio, Arraial do Cabo e Saquarema foram encontrados esqueletos cremados, todos com menos de 2 mil anos, sendo que a cremação é característica do grupo jê – ramificação Tupi. Entretanto, quando os portugueses chegaram ao Brasil, nenhum grupo sambaquieiro existia mais.

Com o tempo e o movimento de avanço do nível do mar, muitos sambaquis foram submersos. Outros foram manipulados pelo homem, seja na utilização como matéria-prima para a produção de cal, ou deram lugar a urbanização costeira. Ainda assim, cerca de trinta deles estão mapeados, documentados e são monitorados pelo IPHAN.

Fonte